quarta-feira, 19 de agosto de 2015

É BIG É HORA

Arte de Eduardo Nasi

Zoeira de adultos é ingênua perto de uma festa infantil. É mais poluição sonora do que visual. O máximo que encontrará depois da farra são alguns copos quebrados, marcas circulares na estante, cervejas nas janelas e guimbas dentro de pratos. Não trará tanto trabalho para limpar. Resolverá a baderna em um único dia.

Já uma festa de crianças… É melhor fazer uma reforma, a faxina não dará conta.

A bebedeira de gente grande produzirá talvez um banheiro sujo porque alguém passou mal. Nada que o detergente não conheça.

Os pequenos é que encarnam os verdadeiros vikings, hunos, bárbaros dos alicerces da casa. Suas distrações e brincadeiras apresentarão alto índice de danos materiais.

Além de vidraças quebradas por bolas, esculturas sem cabeça e varais transformados em cipós de floresta, o cenário destrutivo é altamente criativo. Ninguém destrói com tanta criatividade quanto às crianças. Elas são dotadas de uma curiosidade insaciável, feita de misturas explosivas. Conhecer algo é também destruir. Suas mãos formam tubos de ensaio agregando sempre um produto desconhecido.  Só desistirão de mexer depois de quebrar ou explodir.

Pai de dois filhos, travei longo contato com a horda refinada de invasores.

Dificilmente sua privada funcionará novamente, e não pense que é devido ao inofensivo papel higiênico sujo jogado ao vaso. Alguém colocará uma caneta no canal. Estará muito próximo de ver uma réplica perfeita de Veneza pelos corredores e transformar seus sapatos pretos em mal-humorados gondoleiros.

As instalações infantis não terminam por aí. Haverá refrigerante espalhado pelo chão inteiro — não existe algo mais gosmento do que refrigerante. Pisará com barulho de chiclete durante os próximos meses.

Brigadeiros estarão esmagados na entrada da cozinha. Pela aparência pastosa, terá que se aproximar para definir se não é cocô do seu cachorro.

Paredes receberão desenhos espíritas de Miró e Picasso.

As tomadas guardarão a cobertura de chantilly da torta de aniversário.

Achará ainda salgadinhos mofando debaixo das almofadas do sofá, após longa e exaustiva inspeção do que vem fedendo na sala.

Localizará estranhamente uma meia suja na geladeira, e se perguntará como ela surgiu na gaveta de verduras.

O teto ganhará camadas de pigmentos vermelhos, que não faz a menor ideia do que seja: Gelatina? Suco?

Trate de não pensar para não enlouquecer.  O grande problema da festa infantil é que a sujeira aparecerá em lugares improváveis. Levará muito tempo até solucionar todos os crimes.







Crônica publicada no site Vida Breve
Colunista de quarta-feira 19/08/2015

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O FIM DEMORA



Quantos términos para o término de um amor?

Quantos “agora acabou!” é necessário dizer para realmente acabar?

Quantas portas a bater até entregar a chave?

Quantos desaforos até calar a boca?

Quantas discussões até conversar com calma?

Quantas gavetas serão esvaziadas até arrumar a mala?

Quantas desistências existem dentro da insistência?

Quantos reavivamentos são possíveis de um fogo morto?

Quantas recaídas até cair de vez?

Porque descobrir o fim ainda não é comunicar o fim.

Porque determinar o fim ainda não é explicar o fim.

Porque sentir o fim ainda não é encaminhar o fim.

É um amigo falar que seu relacionamento não tem mais saída, que eu já sei que ele caminhará muita rua antes de enxergar a parede.

É mais um desabafo do que uma verdade.

É mais uma vontade do que uma realização.

É mais um despacho do que um despejo.

Está no começo do fim, o que não significa fim.

Está elaborando o fim, mas não selando o fim.

Está roteirizando o fim, mas não contracenando o fim.

Está preparando o fim, mas não alterando a vida.

O fim demora. O fim é semelhante a muitos reinícios. O fim é procurar o melhor jeito de contar a notícia. O fim é ouvir o contraponto. O fim é oferecer mais uma chance. O fim é cansar de tanto casar. O fim é exaurir os apelos. O fim é depor as armas e não mais impor mudanças. O fim é esgotar as chantagens e as ameaças. O fim é se perdoar pouco a pouco por quebrar as promessas. O fim é não criar mais desculpas, é não ser mais bonzinho, é não querer repassar a culpa, é assumir a responsabilidade, é não ser o certo e não julgar o errado. O fim é bloquear o coração mais do que o telefone. O fim é longo.

O fim é serenidade que vem depois da adrenalina do desespero. Não é chorar, chorar é o princípio do fim, o fim é quando as lágrimas secaram, é quando os olhos pararam de nadar, é quando não há esperança de resgate.

Encerrar uma relação imita o cartucho de qualquer impressora. O computador indica o término, mas poderá imprimir mais cem páginas: folhas falhadas e com a tinta se esvaindo lentamente.

Cem páginas rendem um livro lindo e triste de poesia, porém jamais terá páginas suficientes para fazer um novo romance.






Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 4,  18/08/2015
Porto Alegre (RS), Edição N°
18265

AMARELA, VERDE, AZUL, VERMELHA E PRETA

Arte de Eduardo Paolozzi

Pega- vareta é uma grande prova para descobrir se a sua namorada ou o seu namorado tem o costume de mentir.

Todo namoro poderia iniciar com este concurso familiar. Chama pais e irmãos para fiscalizar.

É o jogo que mais exige honestidade, concentração, cumplicidade. Um autêntico detector de trapaceiros.

O mal-intencionado logo gritará: - Tremeu!

Ou fará vento para prejudicar a arte de levantar as varetas.

Ou mexerá na mesa discretamente, para produzir um terremoto.

Vareta é uma tentação para quem gosta de enganar.

Poderia também ser psicotécnico de político.

Aliás, como que político não passa por teste psicológico antes de se candidatar?

Ouça meu comentário na manhã desta terça-feira (18/8), na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Jocimar Farina e Kelly Matos:


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

HIDRATAÇÃO PELAS PALAVRAS


Relacionamento se faz no detalhe, na pronúncia, no modo como nos comportamos longe das datas festivas e das folgas dos finais de semana. Ou se tem uma rotina apaixonada ou se é levado pela agressividade. Não identificamos o quanto perdemos inúmeras chances de delicadeza ao longo do dia. Desperdiçamos a gentileza com quem amamos.

Parece que a educação deve ser usada para os estranhos, aquele que está ao nosso lado é obrigado a aguentar grosseria, irritação, azedume, maus tratos.

Entramos no jogo de compensações: quando tristes, maltratamos; quando felizes, festejamos, e não enxergamos problema nenhum nesta alternância.

É preciso criar um mínimo civilizacional, ainda que nos dias mais trágicos, para não ferir os próximos e não destruirmos os laços com as nossas mágoas. Se seguirmos os nossos impulsos, seremos bichos. Morderemos e atacaremos com as palavras.

Ninguém desperta de bom humor (trata-se de uma lenda), o que existe é um redobrado exercício de concentração para sorrir de manhã cedo. A docilidade é uma ardilosa construção psicológica e temperamental. Maquiamos o caráter para conviver.

Generosidade, portanto, consiste em atenção lapidada, em refinada vigilância, em não ser tomado pelo impulso egoísta de que o outro tem a obrigação de nos servir e nos entender.

Só é acabar a água na geladeira que já podemos antever o temperamento de cada um na relação. É uma frase inofensiva que traduz uma gama variada de sentimentos. Por uma declaração banal e singela, já antevemos se a pessoa pretende discutir, agredir ou nos confortar.

– Você me deixou sem água? (autoritário)

– Nem água tem nesta casa! (apocalíptico)

– Esqueceu de comprar água? (acusatório)

– Esqueci de comprar água! (culpado)

– Temos que comprar água! (solidário)

– Você não presta atenção em nada! (oportunista)

– Acabou a água, vou sair para comprar! (engajado)

– Você deseja que eu morra de sede? (filial)

– Cadê a água? (curto e grosso)

– Não temos mais dinheiro para comprar água? (inseguro)

– Vamos beber água da torneira por enquanto. (conformado)

– Farei uma lista de supermercado para não esquecermos nada. (compreensivo)

Quando acabar a água, cuide também para não acabar o amor.




Publicado no jornal Zero Hora
Revista Donna, p.32
Porto Alegre (RS),  16/08 /2015 Edição 18263

QUEDA DE BRAÇO COM A ETIQUETA

Arte de Otto Dix

Não vejo colocar o cotovelo na mesa como falta de educação. É atitude de homem, de apoiar os braços para ouvir melhor.

O cotovelo é a afirmação masculina, ele se projeta na conversa, ele se aproxima de quem está em sua frente. Azar da etiqueta.

O cotovelo é o bar que todo homem carrega em sua alma. Sem o cotovelo, ele se sente um fantoche, castrado, preso, sem ação.

Homem fala com os braços mais do que com a voz. Posso usar os talheres certos, colocar guardanapo nos joelhos, segurar o cálice pela base. Mas não me peça para tirar o cotovelo da mesa. O cotovelo é duro, o cotovelo jamais broxa.

Ouça meu comentário na manhã desta sexta-feira (14/8) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Antônio Carlos Macedo e Kelly Matos:

INTERESSANTE

Arte de Eduardo Nasi

Namoravam no sofá. Ambos colegas de trabalho que resolveram se dar uma chance. Não havia nada a perder mesmo que errassem, pois um erro em comum já seria intimidade.

Mão para cá, mão para lá, beijos ensandecidos e, de repente, no calor máximo dos toques, ela trava:

- Será que estamos prontos?

Ele prosseguiu beijando e ignorando a questão.

Ela prosseguia cortando e jardinando os dedos e os avanços.

Ele resmungou que aquela pergunta tinha sentido no século XIX, não hoje.

Ela foi mais contundente:

- Vamos com calma! Sou uma mulher séria.

Austeridade e seriedade são duas palavras broxantes.

Ele, então, encolheu a respiração, esticou as calças e buscou algum assunto neutro para enganar a excitação. Perguntou o que significava o imenso quadro da sala.

- É um retrato sobre a ovulação, feito sob encomenda por um artista — meu amigo —Eduardo Nasi.

- Ovulação? Interessante…

Assim como era interessante a coleção de Pais & Filhos e Crescer debaixo da mesa, era interessante o carrinho de bebê desmontado no corredor, era interessante os bichinhos de pelúcia na estante.

A ida ao banheiro tornava-se providencial para se refazer. Quando não há sexo, haverá sempre a discussão por que não houve sexo. Necessitava se preparar para conversar sobre preliminares e formalidades.

- Ei, o toalete é na segunda porta – ela explicou.

Mas ele abriu a porta errada. Deparou-se com um quarto de criança digno de revista de decoração: berço com móbile balançando, abajur de estrelas refletindo no teto, paredes cor de rosa e armário abarrotado de roupinhas. Entretanto, não notou nenhum nenê dormindo.

- Você tem filho? Eu não sabia.

- Não tenho, é que já deixei tudo pronto antes de ficar grávida.

- Interessante…Interessante…

O homem somente emprega eufemismos, a exemplo do “interessante”, quando está em pânico.







Crônica publicada no site Vida Breve
Colunista de quarta-feira 12/08/2015

VELHAS NOVIDADES



Tenho sempre a sensação de que não abandonamos a infância.

A mensagem de áudio no WhatsApp virou uma epidemia.

Nem é preciso escrever: é gravar um recado e mandar. É mais um cuspe, do jeito que for.

Não vejo nenhuma diferença do walkie-talkie que empregava quando criança para roubar frutas ou aprontar molecagens com os meus colegas de bairro. Ou do telefone sem fio feito de cordinha e latas.

Há um aspecto de solidão circense na cena. É patético enxergar um adulto andando na rua, com seu celular colado na boca como uma gaita, gravando uma frase quando poderia falar diretamente. Não é natural. É como andar com microfone a tiracolo.

E não entendo como criticamos os pais por ainda privilegiarem recados na secretária, qualificando a atitude como coisa de velho, enquanto o áudio do WhatsApp não passa de uma mensagem de voz ininterrupta.

A tecnologia muda os hábitos para não mudar nada.

Avançamos e estamos regredindo. Caminhamos rapidamente e estamos dando a milésima volta no labirinto.

Vamos assim – talvez involuntariamente – deixando de gostar das pessoas, de estar com as pessoas, de conversar com as pessoas.

Existe uma prática cada vez maior da misantropia, ou seja, da aversão ao gênero humano.

Afundamos no isolamento: nas décadas de 70 e 80, não abríamos mão de visitar os amigos, a preferência vinha pelo contato afetuoso, confidências ao vivo, olho no olho, dente brilhando no riso. Telefone só fixo, enraizado na tomada para urgências. Os bares eram nossas salas de chat.

Com a disseminação do celular nos anos 90, o telefone monopolizou a antena da raça. Não se saía do lugar por qualquer coisa, melhor ligar e falar o que se queria. Horas e horas grudado no aparelho para não precisar se encontrar.

O timbre substituiu o rosto, o abraço, o colo, o cumprimento, o beijo, como forma de manter distância dos problemas e do envolvimento emocional. Os incômodos desapareciam ao recusar as chamadas ou fingir extravio de sinal.

Hoje ocorre um desprezo até por falar ao telefone, tudo piorou. Telefone somente em último caso. Teclar também é perda de tempo. Escrever exige organização do pensamento e capricho, cuidar dos erros de português, dedicar-se para achar a melhor palavra, explicar o que se pretende dizer, armar um tratamento particular e exclusivo. Mas para que desperdiçar atenção? Pensar significa muito trabalho e esforço, e as mensagens escritas são lentas demais.

Atualmente o que se percebe é a preferência por áudios. Colecionamos áudios, mantemos uma fonoteca em nossos números, mergulhamos na sonoplastia da solidão. Todos andam com fone de ouvido para cultivar monólogos e evitar o diálogo. O próximo passo é a mímica e a telepatia.

E nem se pode alegar que as ligações são caras, pois é possível fazer de graça em diversos aplicativos.

É o medo de ouvir a resposta do outro lado, é o medo de ser invadido por emoções, é o medo do imprevisto e da irritação, é o medo de nossas hesitações, é o medo da oscilação do humor, é o medo de se atrasar, é o medo de escutar verdades, é o medo de errar e se comprometer, é o medo do contraponto, é o medo da amizade real e verdadeira, é o medo imenso e absoluto da humanidade.






Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 4,  11/08/2015
Porto Alegre (RS), Edição N°
18256

BOA AÇÃO

Arte de Emil Nolde

Desde pequeno, acreditei na ideia religiosa de fazer uma boa ação por dia, como ceder o assento para quem é mais velho no ônibus, ajudar portador de necessidades especiais atravessar a rua, carregar sacolas de senhoras.

Eu realmente me importava em não passar o dia em branco: bondade era um problema de matemática. Descontava meus pecados com as boas ações.

Pena que deixamos de realizar esta tabuada na relação. Há uma lista de pequenas e singelas ações positivas dentro do romance:

- repor as fôrmas de gelo,

- trocar o papel higiênico,

- não fingir que o sabonete já é uma lasca no box do chuveiro,

- levar o lixo acumulado para a rua,

- arrumar a cama quando for o último a sair,

- dar água para as plantas,

- desovar os potes de comida vencida da geladeira e ter a coragem de lavar.

Não receberá nenhuma medalha, nenhum elogio, nenhuma condecoração por se preocupar com os detalhes mais bobos da vida a dois. Mas já será suficiente para salvar o respeito.

Pois só morre o amor distraído.

Ouça meu comentário na manhã desta terça-feira (11/8) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Antônio Carlos Macedo e Jocimar Farina:

domingo, 16 de agosto de 2015

QUANDO O AMIGO DESAPARECE

Arte de  Otto Mueller

Ele que sempre ficava mais tarde no trabalho volta agora cedo, antes do sol se pôr.

Ele que costumava jantar fora agora somente almoça.

Ele que era figura tarimbada na noite, vip em bares e baladas, pode agora ser encontrado em supermercados e farmácias durante o dia.

Ele que procurava os amigos para sair agora tranca-se em casa no sábado e domingo.

Ele que vivia mostrando suas conquistas para os colegas, só tem fotos de uma única pessoa. Seu
Facebook só mostra o rosto e os gestos de uma única pessoa. Não faz outra coisa senão colecionar imagens de sua nova pessoa favorita.

Meu amigo não está mal, nunca esteve tão bem. Ele mudou e sumiu simplesmente porque é pai.

A paternidade é quando o homem aprende a ser caseiro e romântico.

Ouça meu comentário na manhã dessa sexta-feira (7/8), na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Antonio Carlos Macedo e Jocimar Farina:

ENCONTRO MARCADO

Arte de Eduardo Nasi


Estava de viagem a trabalho, longe de Porto Alegre. Meu vizinho Ilton, do andar de baixo, me telefona:

- Tem um cheiro estranho no seu apartamento!

Empalideci, ele acendeu um simbólico fósforo em meus atos falhos. Revisei meus últimos movimentos: será que desliguei a cafeteira, girei certo o botão do fogão quando parei de cozinhar, fechei o registro do chuveiro?

- Estranho, como?

Já cogitei fumaça de possível incêndio, vazamento de gás. O vizinho é sempre nosso síndico informal – deve saber tudo de nossa vida, já nos cumprimenta com conhecimento de causa de como foi a nossa vida sexual no dia anterior ou o que andamos fazendo de noite.

- É um cheiro muito intenso, não sei definir. Parte das janelas – explicou, sem explicar nada.

- Pode ser mais exato? Já me deixou preocupado…

- Acho que é um cheiro de flores – ele se esforçou.

- O que há de ruim nisso, Ilton? – suspirei. Tenho cinco vasos com gérberas na sala. Aproveita a lufada do meu jardim.

- Mas é muito forte. Como se estivesse centenas de incensos queimando no mesmo lugar.

- É que sou um homem apaixonado, meu ambiente exala o paraíso – busquei brincar, só que ele persistia preocupado.

- É? Tomara que sejam mesmo suas plantas. Porque parecem rosas…Rosas de cemitério.
- Relaxa, não seja macabro, amanhã estou aí, não é nada urgente.

- É sim urgente.

- Por quê? Desde quando o perfume de flores é urgente?

- Desculpa, hoje é o aniversário de falecimento de minha mãe. Precisava descobrir de onde vem o perfume. Ela adorava rosas brancas. Acho que ela está querendo fazer contato comigo.






Crônica publicada no site Vida Breve
Colunista de quarta-feira 5/08/2015