segunda-feira, 6 de julho de 2015

INVASORES



– Já que ele não vai ficar comigo, não vai ficar com mais ninguém.

Assim também esquece que ele jamais olhará novamente para sua cara. Tentar destruir a próxima relação de seu ex ou flerte postando mensagens ofensivas e insinuações na web ou até mesmo mandando prints de conversas antigas é atitude de recalcada. Desceu sem volta o seu espírito para o inferno mais remoto. Não há depois como salvar o respeito e a reputação. É gesto de megera, de bruxa, de burra, de psicopata, onde os fins justificam os meios.

Pode estar desesperada, louca, histérica, mas até o jogo da sedução é constituído de regras e etiqueta, não é um vale-tudo emocional, o que não é reciproco deixa de vigorar como realidade, cabe respeitar a decisão de sua companhia, mesmo que um dia tenha recebido juras. Nada de destituir a liberdade do outro, que tem todo o direito de reavaliar o trajeto, não querer o relacionamento e trocar de opinião. Nada de bancar a hacker e entrar em contas alheias em nome de uma dor-de-cotovelo.

Depois de perder o amor, é muito fácil perder o amor próprio e despencar para a grosseria.

Não é não, o não está a léguas de significar um charme, não é para insistir se não existe abertura, não é uma provocação, um desafio e uma oportunidade para provar o seu valor.

Se ele não quer ficar junto, não se rebaixe e, o mais grave, não busque rebaixar todo mundo. Não arraste inocentes para seu túmulo. Se está infeliz, não espalhe a infelicidade. Aceite a derrota e o fracasso com humildade. Não procure sofrer acompanhando a novela do amor recente nas redes sociais. Não fique investigando o perfil da nova namorada. Não faça comparações e conclusões distorcidas, não crie tumulto e fakes. Policial amador é criminoso.

Ele não quis permanecer a seu lado quando apresentou seu melhor, não é com o pior que mudará seu conceito.

Compreensão e respeito são capazes de trazer alguém de volta, jamais mentira e invasão de privacidade. Isso serve para homens e mulheres.

Não provoque o desprezo. O desprezo é a paixão azedando, vinho virando vinagre, sem rótulo e safra para ser lembrado.

Quando o sentimento acaba por uma das partes, é necessário ser amigo do tempo. O tempo cordial é a única esperança que resta.



Publicado no jornal Zero Hora
Revista Donna, p.32
Porto Alegre (RS),  05/07 /2015 Edição 18215

A BOFETADA

Arte de Vito Campanella

Não foi brigando com nenhum homem que amadureci. Não foi invocando nenhuma guerra no trânsito que amadureci. Não foi enfrentando tumultos e acotovelando beberrões que 

amadureci. Não foi apanhando dos pais que amadureci. 

Amadureci quando levei uma bofetada da namorada durante a adolescência. Nenhum homem cresce se não levar um tapa na cara de uma mulher em algum momento da vida. Aquele 

tabefe seco, bloft, inesperado, e merecido. E nem pode reagir porque é justo. Aprontou, levou o peso da palavra e do castigo na bochecha. É aguentar a fisionomia de 

tacho, a imobilidade de idiota, a vergonha do vermelhidão. 

Um homem só aprende a assumir seus pecados e sua culpa depois de uma bofetada feminina. Antes ainda é uma criança, ainda é filhinho da mamãe, ainda acredita na impunidade no amor. 

Ouça o comentário na manhã desta sexta-feira (03/07), na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Antonio Carlos Macedo e Jocimar Farina:

BONECO INFLÁVEL

Arte de Eduardo Nasi

Se o homem lhe ama não mudará o rosto depois do sexo. Não mudará de atitude.

Não ficará com vontade de fugir da cama, não se sentirá incomodado pela intimidade e pressionado pela madrugada, não lembrará de nenhum compromisso da manhã seguinte, não sairá da cama à caça das roupas e do celular.

Se o homem lhe ama, ele é igual antes e depois do sexo. Exatamente igual. Não usará da educação para se distanciar. Não formulará nenhuma pergunta sobre o tempo. Não escolherá as palavras mais neutras. Poderá convidá-la para tomar um banho junto ou comer algo na cozinha (quer melhor cena do que o casal apaixonado rindo e cozinhando pelado?). Certo é que não arredará o pé dali sozinho, sob hipótese alguma.

Já quando procura somente sexo, são visíveis os sinais. É como um despertar de transe, de uma hipnose.  Ele tem a língua cortada pelo fim do prazer. Não difere muito de um boneco inflável, inflado de poder e potência na véspera, esvaziado e culpado após o orgasmo.

As mulheres não dependem de nenhuma astúcia para resolver a charada. Basta comparar quem começou a transa e aquele que restou no quarto.

Como que o sujeito passional, pedindo tudo para ontem, com ânsia de tirar seu sutiã, soprando safadezas sem precedentes nos ouvidos, não suportando um minuto longe de suas pernas, desliga-se de qualquer aproximação e é capaz de dar agora um descarado e sem sal beijo na bochecha?

Se o homem lhe ama, demonstrará apego, oferecerá o peito para sua cabeça, segurará sua mão, alisará os cabelos, continuará beijando na boca, comentará algo engraçado para distrair a seriedade daquele momento.

Se o homem lhe ama permanecerá perto, respirando longamente a falta de ar.

Completamente dispensável o telefonema do dia seguinte para definir se é ou não é amor. Quando o homem lhe ama, torna-se óbvio, redundante, até piegas, deseja ainda agradar mesmo saciado.

ANTES E DEPOIS DO COFRINHO


O homem renuncia seus títulos de nobreza quando mostra o cofrinho.

Antes disso, ainda desfruta de chances de salvação e de terapia. Existem na trajetória masculina dois períodos da cristandade no casamento bem definidos: AC e DC.

No momento em que ele se agacha, na pose de mecânico distraído, com a calça arriada e o fundilho aparecendo, acabaram suas pretensões estéticas.

Não há desculpa para a falta de cuidado. Inútil alegar que estava arrumando o vazamento da cozinha ou procurando algo debaixo do sofá e não contava com as mínimas
condições para se preocupar com os detalhes.

É pecar uma vez que o demônio da preguiça assume o corpo.

Após o vexame, o sujeito descerá a ladeira longe do trio elétrico. Cultivará a barriga, esquecerá o cinto, deixará crescer pelo no nariz e na orelha.

Será capaz de tudo: de sair na rua de abrigo rasgado, de roupão, de pantufas, de chinelos da Bela Adormecida. Não arcará com mais nenhum capricho e controle da
aparência. Abandonou o time em campo.

Coitada de sua mulher. O próximo passo é usar calção sem cueca e não perceber o que está dentro ou fora do forro.

Expor o cofrinho é próprio de macho largado. Não terá mais nenhuma vontade de agradar. Sacrificou o último estágio da censura e da decência.

Não se penitenciará pelas constantes porquices dentro de casa. Confundirá intimidade com desleixo. Logo mais estará urinando de porta escancarada, palitando os dentes
de boca aberta, soltando flatulência na cama e obrigando a sua companhia a cheirar junto debaixo do edredom e arrotando na mesa para pedir aplauso.

Testemunhar seu parceiro de quatro é tristemente inesquecível, que sempre pega a mulher desprevenida. Ela jamais percebe quando irá acontecer para se preparar e se
defender. Pode ser na frente de uma geladeira ou do armário. A camiseta levanta subitamente, a calça cai e é tarde demais para fechar os olhos e não gravar a porção indefinida entre glúteos e gordura.

O berço do ogro é o cofrinho. A paisagem desastrosa de um traseiro desgovernado não provoca cumplicidade feminina, mas rejeição. E, principalmente, desperta uma dupla pena, do homem na posição de Napoleão perdendo a guerra e de si, por estar casada com ele e não ser nem uma Josefina para ter um amante de respeito.






Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 4,  30/06/2015
Porto Alegre (RS), Edição N°
18209

O TEMPO DA RESPOSTA

Arte de Raul Santos Zerpa

Você não pode perder o tempo da resposta para sua mulher.

Não dá para demorar muito.

Se atrasar, ela ou vai achar que está mentindo ou ganhando tempo ou que é indiferente aos assuntos dela.

Todas as opções são péssimas.

Tem que reagir rápido diante de uma questão. É bater um escanteio.

Caso contrário, ela não falará mais no assunto. Vai se calar pelo resto do dia. Vai se emburrar, embirrar. Você ficará como um idiota suplicando a repetição da pergunta, buscando agradar de tudo o que é jeito, mas perdeu a chance.

Mulher contrariada é impossível de contentar. Espere o dia seguinte.

Ouça o comentário na manhã desta terça-feira (30/06), na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Antonio Carlos Macedo e Kelly Matos:

FELIZARDOS OS CASAIS DA MANHÃ


O sexo de manhã estabelece anticorpos contra a infidelidade.

Casais que preferem o turno matinal desarmam qualquer pulada de cerca.

É um escudo para amantes. Uma cerca eletrônica na aliança.

Dificilmente a esposa ou o marido trairá com um envolvimento ao despertar do dia, seja rapidinha, seja média com pão e manteiga. O contato fervoroso logo cedo liquida com as dúvidas do relacionamento.

Estará com o cheiro de seu amor no corpo, a saudade quente, o gosto da cama da própria casa, é muita desfaçatez sair procurando mais, daí já é doença.

A tese de trair por falta de interesse do parceiro também cai por terra. Nem pode alegar a ausência de cuidado para flertar com terceiros.

O hábito ainda acaba com a compulsão dos tarados. Não há tentação que resista.

O sexo de manhã é prevenção. É marcação de território. Felizardos são os que praticam.

Quem terá vontade de transar em menos de seis horas? Improvável. Estará satisfeito demais para dar mais uma e correr o risco de ser pego.

Interrompe as estratégias dos amantes de se encontrar ao meio-dia em hotel e no decorrer da tarde em motéis, suspende as escapadas dos intervalos do serviço.

É tudo muito recente para pensar bobagem. A culpa não lhe deixará responder sim para o inimigo.

Por sua vez, os casais que optam pelo tradicional sexo no fim do dia sofrem com o acúmulo de tarefas. Para transar, terão que enfrentar o cansaço do trabalho, os problemas e o sono. Podem adiar o prazer à espera de um final de semana redentor, que nunca chegará. A abstinência involuntária abre a guarda para indiscrições e convites na web. Não estarão mais sozinhos, mas rodeados de preocupações a respeito do pensamento silencioso de quem acompanha: será que ele me ama? Será que ela me quer? Por que não me procura mais?

A idealização sempre gera adiamento. Será uma maratona para abrir espaço a dois e criar clima entre banho, jantar, filhos, contas, tarefas, telefonemas, leituras, televisão. A noite gera desespero e extremismo. É agora ou nunca. Um vai querer mais do que o outro, um vai se incomodar mais do que o outro, um vai dormir emburrado por fracassar em seus ataques enquanto o outro dormirá triste por ser forçado a algo que não deseja.

Já os que realizam sexo de manhã têm uma vantagem. Vivem desobrigados, leves, podem reservar o entardecer para conversar, jantar e assistir novela. Não precisam pressionar nada, muito menos inventar desculpa como enxaqueca e indisposição.

E se, por ventura, estiverem excitados à noite será um bônus, uma promoção, um prêmio pela antecedência. Certamente despertarão inveja dos amigos: alcançaram a média nacional do mês em 24 horas.


Publicado no jornal Zero Hora
Revista Donna, p.32
Porto Alegre (RS),  28/06 /2015 Edição 18208 

SEMI

Arte de Endre Rozsda

Não sou famoso, sou quase, vítima sempre daquela observação vaga: "eu te conheço de algum lugar".

O sucesso não subiu à minha cabeça porque jamais deixou os meus pés.

Alguém me encontra na rua e pede para fazer uma selfie, na hora me sinto um ator de novela, o cara ainda fala alto para todo mundo ouvir: "vc é da televisão, muito famoso". Estou já me vendo na capa da revista Contigo!, até que ele destrói qualquer ilusão e me pergunta:

- Como é seu nome mesmo?

Não têm como fugir do vexame.

Ou quando sou cumprimentado no supermercado: "Carpinejar? Adoro tudo o que faz. Sou seu fã, Mauricio Carpinejar"

Nem corrijo. Subcelebridade não corrige nada.

Ou quando me confundem com um outro careca, o Paulo Gustavo. Depois de foto, autógrafo e abraço apaixonado, entendo a confusão:

- Morro de rir com seu programa no Multishow.

Não tenho programa no Multishow.

Só me resta ser sósia, dublê e figurante até a fama chegar. E isso se ela me reconhecer.

Ouça o comentário na manhã desta sexta-feira (26/06), na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Antonio Carlos Macedo e Jocimar Farina:

DECEPÇÕES AMOROSAS

Arte de Eduardo Nasi

Já gerei decepções, mesmo quando não cogitava corresponder a uma idealização.

Somos o que também o outro nos sonha, o que é um atalho de pesadelos.

Em uma noite violácea, como são as noites quentes estreladas, a namorada bebia na cozinha quando reparou num objeto com frisos laranja e preto de pé na sala, preso num suporte.

Ela gritou, sem esconder o entusiasmo. Os olhinhos brilhavam:

- Você tem uma guitarra! Toca para mim?

Tudo bem que estava escuro, à meia-luz, mas não era uma guitarra, mas um aspirador de pó de última geração, que se adaptava aos movimentos do corpo.

Ainda expliquei:

- Queria há muito tempo.

E demonstrei que uma das peças era removível e funcionava como aspirador portátil, de mão, para vãos e mesas. Falava com entusiasmo e orgulho, repetindo as palavras de Excel do vendedor.

O rosto dela se deslocou do ocidente ao oriente em minutos. Para quem aguardava um guitarrista descolado e senhor da madrugada, deve ter sido frustrante encontrar uma dona de casa vespertina e careta. Não transamos naquela noite, ela enfrentou sérias dificuldades para mudar o seletor materno e doméstico para o de homem de sua vida, selvagem e imprevisível.

Como estávamos nos conhecendo, não havia como prever o que eu era, qualquer início de relação é envolta em mistérios, pistas e descobertas. Vi que ela acalentava a fantasia de um músico-poeta, entoando suas canções prediletas ao pé do ouvido.

Mas não menti, não fingi, escolhi a verdade como passaporte para a felicidade, quando o costume é entrar nela de forma clandestina.

Realmente guardo uma paixão ardente por faxina, por esta possibilidade barata de reformar o ambiente apenas com a limpeza.

Eu despertei cedo para inaugurar o aspirador. Ela dormia.

Procurei fechar as portas e vedar o som. Poderia ter esperado a minha companhia ir embora, só que não me contive. Todo adulto ansioso é uma criança.

Vestido de abrigo e de camiseta rasgada, voei pela sala e cozinha baixando e levantando a mangueira de vento. Aspirava até o teto. Ria ao destruir uma teia de aranha transparente ou ao capturar ciscos do alto da estante.

Foi quando testemunhei a namorada, pasma e atônita com a minha movimentação, parada no corredor:

- Pode parar com esta barulheira?

Naquele momento, diante de sua advertência, eu me senti uma pomba-gira de Keith Richards, Leonardo Wohlers, Stevie Ray Vaughan, Chuck Berry e Robert Johnson, um guitarrista tocando na garagem, envaidecido pelos seus acordes altos e ensurdecedores.

Ninguém me arrancaria do meu transe inspirado.

BATIZADO DO TÊNIS


Mantenho até hoje pânico de sair na rua com tênis novo.

As duas décadas de experiência desde a escola não aliviaram a ansiedade.

Minha vontade é comprar tênis usado, para não sofrer com o receio infantil que se esconde intacto nos meus olhos de meia-idade.

Sofria com o batizado dos colegas. Bastava aparecer com um tênis branquinho que a turma fazia fila para batizar.

Nunca estudei em seminário, mas a turma virava um bando de padres sedentos para aspergir lama no recém-nascido.

Havia um delator espertinho, que gritava ao tocar o sinal:

– Fabrício está de tênis novo!

Eu procurava argumentar em vão:

– Só lavei, só lavei.

Experimentava no recreio um corredor humano que não permitia fuga. Sem apelação, escapatória, adiamento, liminar. Fechavam a porta.

Em minutos, o tênis ficava barrento, sujo, com manchas pretas de piche. Mais humilhante do que um dia de chuva.

Recebia o mapa de Porto Alegre nos cadarços – herança das longas caminhadas das crianças, que vinham de longe para a escola, atravessando vários bairros a pé.

Meus dedos terminavam esmagados e achatados. São absolutamente tortos devido a esse trauma silencioso.

O primeiro que se aproximava para inaugurar era gentil, já os demais compensavam o atraso com força e truculência. Aproveitavam o contexto para me chutar e descontar 
diferenças de brigas históricas do futebol. Os pisões se transmudavam em coices.

Adoecia de remorso ao voltar para casa. A mãe protestava injustamente, ralhava que joguei bola logo na estreia do presente, que não cuidava de minhas coisas e não compraria mais nada.

Tratava-se de uma ameaça séria numa época de recatado consumismo e de poucas opções (ou se adquiria Conga ou Kichute ou Rainha).

Eu não tinha outro tênis, era um só até arrebentar, até aparecerem as unhas, até a sola se esfacelar como pão molhado.

Pai e mãe analisavam o estado dos nossos calçados diante da reivindicação de que precisávamos de um segundo par.

No jantar, enfrentávamos uma vistoria tensa, algo como reunião para melhoria de salários entre CUT e sindicato patronal.

Os pais conversavam, cochichavam e vinham com o terrível parecer:

– Dá para usar mais uma semana.

A semana durava um mês e meio.

Os tempos de quem sofre e de quem cuida são sempre diferentes.






Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 6,  23/06/2015
Porto Alegre (RS), Edição N°
18202

domingo, 5 de julho de 2015

ATÉ QUE O FACEBOOK NOS SEPARE

Arte de Mario Carreño

Ser fiel e leal atualmente exige novos acréscimos no juramento da igreja.

É preciso ser fiel e leal na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, mas também no Facebook, no Whatsapp, no Skype, no e-mail, no Twitter, no Instagram...

Estamos nos casando hoje duas vezes. São dois casamentos simultâneos: na realidade e na virtualidade.

Tem gente que casa na vida real e não na virtual.

Não é apenas ser fiel e leal com o corpo, mas também com a imaginação e com a fantasia.

Não é apenas ser fiel e leal dividindo as tarefas, mas também não escondendo nada do celular.

Não é apenas ser fiel e leal em casa, mas em todas as caixinhas de mensagens e inbox.

Não é apenas ser fiel e leal falando, mas também em todas as letras, bytes e emojis.

Não é apenas ser fiel e leal na aparência, mas também quando ninguém está olhando, o que significa não seduzir ou não se mostrar fácil em diálogos na web, é ser casado
24 horas, é não testar os limites de estranhos com perguntas, não acreditar que traição é apenas sexo.

Traição é ser íntimo de duas pessoas ao mesmo tempo.

Ouça o que falei na manhã dessa terça-feira (23/6) na Rádio Gaúcha, programa Gaúcha Hoje, com Antonio Carlos Macedo e Jocimar Farina: